Música «ambiente» na Catedral de Angra
Convite à Concentração e Relação com Deus
Desde há uma semana que, durante a tarde, se pode ouvir na Sé de Angra, canto gregoriano e polifonia sagrada, como música ambiente que convide ao intimismo da oração e da nossa relação com Deus.
Há que ter em conta que, apesar da sua beleza e qualidade, a música sacra, a partir do Barroco e durante os séculos XVIII e XIX, é mais exuberante, chegando mesmo a ser uma transferência da ópera para a Igreja. Hoje é música para se ouvir e apreciar em concerto.
O Coro da Sé tem feito bem essa distinção: na liturgia interpreta música escrita actualmente para os ofícios divinos, em língua vernácula, e, paulatinamente, vem inserindo pequenos trechos de polifonia sagrada do século XVI (o século de ouro desse género musical) e de cantochão; outra tarefa a que se dedica é à divulgação, em concerto, de peças do Arquivo Capitular. Nesse sentido realizou já três concertos, cuja gravação em CD estará brevemente disponível em álbum triplo. Aí se pode verificar, sobretudo na Missa de D. Pedro IV, o belcantismo transposto da cena lírica para o «teatro» litúrgico.
O canto gregoriano está intrinsecamente ligado ao culto divino, e a polifonia sagrada consiste em trechos expressamente feitos para esse culto, por mestres de capela, compositores e cantores cuja formação era específica nessa área e a sua missa/profissão era precisamente servir a Deus com a música, sendo para tal remunerados.

